José Francisco de Souza


José Francisco de Souza

Zé Igapó

José Francisco de Souza (foto), conhecido como Zé Igapó, nasceu em 22 de março de 1922 na cidade de Campina Grande, Paraíba. Filho de Antônio Francisco de Souza e Sebastiana Alves dos Santos, já os sete anos de idade veio residir em Extremoz/RN. Seus pais fizeram o seu registro de nascimento na cidade de Ceará Mirim. Em 1941, foi incorporado ao Exército Brasileiro e foi servir no 16º RI até o ano de 1945.

O dia 17/01/1942 teve uma grande importância na vida de Zé Igapó, pois foi a data em que conheceu sua “querida” Joaquina Cacheado de Souza, Dona Quininha. Nove meses depois, Zé Igapó e Dona Quininha oficializaram seu noivado e se preparavam para casar quando uma noticia inesperada poderia ter dado um destino diferente aos dois: Zé Igapó foi convocado pelo governo brasileiro a embarcar para a guerra, no Navio Santarém, ancorado no Rio de Janeiro-RJ.

Sua noiva e familiares ficaram “num mar de lágrimas” e preocupação com a possível ida de Zé Igapó para a Europa. Na época, não existia nem mesmo um telefone para que Zé Igapó avisasse aos familiares que havia sido dispensado da guerra, embora fosse continuar servindo em solo brasileiro em regime de prontidão. Em 10/11/1945, Zé Igapó se licenciou do exército e voltou a sua terra para se dedicar a realizar o seu casamento com Dona Quininha. A união conjugal dos dois ocorreu a 06/01/1946 e dela nasceram dez filhos.

Após o seu casamento, Zé Igapó veio morar em Natal, no bairro de Igapó. Daí surgiu o pseudônimo que o acompanhou por toda sua vida. Daí por diante, praticamente todos os fins-de-semana, Zé Igapó vinha a Poço Branco e, nas férias, passava mais de trinta dias por lá. A vocação para servir começou quando alguns jovens passaram a frequentar sua casa, em Natal, para poder estudar. Daí, Zé Igapó começou a abrir as portas de sua casa também para pessoas mais humildes que precisavam fazer tratamento médico na capital. Esses primeiros passos certamente colocaram Zé Igapó na vida pública de Poço Branco.

Enquanto Poço Branco pertencia a Taipu, Zé Igapó foi eleito por três vezes como vereador do grande município sempre com grandes votações. Mesmo enfrentando muita polêmica e discriminações dentro do próprio povoado, Zé Igapó conseguiu desmembrar, parte do que é hoje Poço Branco, para fazer parte de Bento Fernandes, em um acordo com o então prefeito Lídio Fernandes. Mas a luta para tornar Poço Branco uma cidade emancipada continuou por mais alguns anos. Naquela época, Zé Igapó conseguiu o inédito direito de implantar um abono família para aquelas com mais de quatro membros, em convênio com a LBA. Enfrentar tantos abismos e perseguições políticas expôs Zé Igapó e sua família a situações de dificuldades financeiras nos anos em que enfrentava, praticamente sozinho, os políticos fortes do estado e os adversários de sua região - situações particulares que, normalmente, a história não conta...

Até chegar o “Dia D” (26/07/1963), a luta de Zé Igapó por Poço Branco continuou com seu trabalho de registrar pessoas e realizar diversos casamentos para que fosse possível se criar a comarca de Poço Branco. Outro plano de Zé Igapó foi a criação de diversas escolas isoladas e a qualificação de pessoas da comunidade como professores. As mais importantes foram as escolas de Poço Branco, Lagoa do Serrote e Lagoa do Cravo. A qualificação dos professores foi feita em Natal, em dois importantes centros formadores pedagógicos: Externato Saturnino e Escola Ary Parreira (da Marinha do Brasil). Zé Igapó fazia questão de ajudar financeiramente a muito deles.

Entre os anos de 61 e 64, Zé Igapó travou outra luta para desmembrar parte de Poço Branco de Bento Fernandes e a outra parte de Taipu. Foi outra tarefa difícil e cheia de opositores, pois as populações dos dois municípios (e seus políticos) eram contrárias as idéias emancipacionistas de Zé igapó. Com a criação de várias escolas e do Cartório Único faltava a Zé Igapó mais prestígio junto ao Tribunal de Justiça do RN e ao Governo do Estado. O governador à época era o Sr. Aluízio Alves que apoiava o prefeito Vicente Cruz, de Taipu. Ambos eram contrários a emancipação de Poço Branco que somente ocorreu porque foi assinada pelo governador em exercício, Roberto Pereira Varela, na ausência do governador, Aluizio Alves, em viagem ao exterior, e do vice-governador, Monsenhor Walfredo Gurgel

Mesmo quando Poço Branco foi emancipado, em 1963, alguns setores da política da região atribuíram o feito aos prefeitos de Taipu e de Bento Fernandes, afirmando que ambos teriam concordado com a emancipação de Poço Branco (naquele ano, outros 37 municípios do RN foram criados). Em 1965, o Dr. Valban de Farias foi eleito prefeito da cidade e o candidato de Zé Igapó (Ivan Cardoso) perdeu a eleição porque o Dr. Valban foi apoiado por Taipu, Bento Fernandes e pelo então governador do estado, Monsenhor Walfredo Gurgel. Quatro anos depois (1969), Zé Igapó foi eleito vice-prefeito de Poço Branco, já emancipado, juntamente com ao Sr. Ivan Cardoso para um mandato de 4 anos.

Em 1972, Zé Igapó perdeu as eleições para Joãozinho Cruz basicamente pelos mesmos motivos de anos anteriores: dissidências e desentendimentos políticos locais. Em 1976, ele se elegeu prefeito de Poço Branco para um mandato de seis anos. Neste período, conseguiu importantes conquistas para a cidade. Trouxe uma escola de 2º grau (José Francisco), a TELERN, CAERN, COSERN, CORREIOS e o Projeto Casulo (um pioneiro projeto de educação infantil). Construiu a Escola Maria de Lourdes Costa e um Posto de Saúde, em Contador, e as Escolas Isoladas dos Baixos e Samambaia. Zé Igapó reformou e ampliou o cemitério de Contador, reformou e reconstruiu casas residenciais, pertencentes à prefeitura, para reativar ou implantar escolas municipais. Ele também trouxe os primeiros médicos para residirem em Poço Branco, pois, antes, todos moravam fora da cidade.

Sua luta por Poço Branco trouxe empregos públicos para dezenas de poçobranquenses - até hoje, imagino, gratos por seus serviços. Sua residência na capital do estado era frequentada por muitos conterrâneos que não tinham como fazer um tratamento de saúde digno na sua cidade ou região. Sabe-se que as condições de transporte e das estradas eram precárias e muito diferentes das atuais. Por isso, era comum alguns passarem várias semanas em seu domicílio.

Com o fim de seu mandato, em 1982, e com seu deficitário estado de saúde, Zé Igapó voltou a morar na capital do estado, mas jamais deixou de frequentar a “sua querida Poço Branco”. Em 21/09/1983 ele viajou a capital paulista para realizar exames e se submeter a uma cirurgia cardíaca, muito complicada para as condições médicas da época. Em um dos poucos momentos de sua vida Zé Igapó não teve forças para lutar e veio a falecer naquela data. A seu pedido, foi sepultado na cidade que adotou como sua em 23/09/1983.

“Como criança, não lembro de tanta comoção pela morte de uma pessoa. Também ainda não havia visto o meu pai, Manoel Targino, chorar como naquele dia - juntamente com tantos outros amigos de Zé Igapó. Isso me deixou profundamente triste e, a partir daquela data, despertou-me o desejo de conhecer a história de Zé Igapó. Tive o privilégio de escoltar, como escoteiro, o caixão daquele ilustre (e ao mesmo tempo polêmico e injustiçado) poçobranquense até o cemitério público de Poço Branco, onde, hoje, ele descansa ao lado dos seus. Talvez Zé Igapó tivesse outra "face" que não conheci em minhas pesquisas e entrevistas por Poço Branco. Sou fã de Zé Igapó e sei que homens que dão a sua vida, a sua saúde, a sua intimidade, o seu lazer, a sua família (e outras coisas mais) por um ideal são raros. Tanto são que, acredito, não existem mais... Zé Igapó e seu jeito “agridoce” (agressivo + doce) infelizmente não 'fizeram escola' em Poço Branco, pois há tantos anos esforço-me para encontrar semelhanças suas em homens públicos daquela terra. Sinto que Poço Branco perdeu Zé Igapó e não recuperou alguém parecido. Não pelas vitórias ou derrotas políticas que sofreu, mas pela gana que tinha por conquistar seus objetivos. Ainda não vislumbrei nada parecido até então. Infelizmente”.

Outras Participações:

A CIDADE DE POÇO BRANCO - RN

O município de Poço Branco foi criado no dia 26 de julho de 1963 pela Lei nº. 2.899, desmembrando-se do município de Taipu e se tornando uma cidade do Rio Grande do Norte. A origem de seu nome está datada por volta de 1910 quando os primeiros moradores do povoado deram este nome ao lugar devido aos poços de água cristalina que existiam à margem de um pequeno rio. A história da cidade começa de fato com a construção da Barragem Engenheiro José Batista do Rego Pereira que foi iniciada em Julho de 1959 e inaugurada em Dezembro de 1969.

Durante esses 10 anos foi concluído o processo de indenização das famílias que moravam no curso do rio Ceará Mirim e passaram a habitar a nova cidade. A obra foi executada pela construtora Nóbrega & Machado que também planejou a cidade, suas ruas e avenidas. Por muitos anos foi, junto com Brasília, uma das poucas cidades planejadas do país. A sua população foi formada basicamente pela miscigenação entre os antigos moradores de "Poço Branco Velho" e os funcionários da construtora da barragem, já que muitos deles constituíram família em solo poçobranquense.

O processo de emancipação teve inicio no final dos anos 50 e teve à frente o Sr. José Francisco de Souza (Zé Igapó) e Ivan Cardoso de Carvalho. Nomes como Cícero Freitas, Manoel Targino Sobrinho, Raimundo Rodrigues da Silva, Antonio Pereira, Raimundo Nonato, Sebastião Rodrigues e outros também encabeçaram o movimento que separou Poço Branco de Taipu e, como em todo movimento, este também teve oposição. A população de Taipu não chegou a se insuflar contra a separação, mas os políticos taipuenses eram contrários. Até hoje, ainda há certa rivalidade entre os seus moradores.

A HISTÓRIA POLITICA DE POÇO BRANCO

A história das eleições em Poço Branco começa no ano de 1963 com a emancipação política do município. Naquela época o Sr. Cícero Freitas foi nomeado interinamente como o 1º prefeito da cidade. Ele comandou o município por cerca de um ano e meio quando a cidade ainda se formava política e economicamente. Esse período transitório teve poucas realizações administrativas porque o município sobrevivia basicamente dos salários dos funcionários da construtora da Barragem e dispunha de poucas rendas próprias.

Em 24/01/65 o então engenheiro-chefe da construtora Nóbrega & Machado, o Dr. Valban Bezerra de Farias, foi escolhido prefeito de Poço Branco numa época em que havia eleições para prefeito e para vice. Valban (UDN) obteve 726 votos e Ivan Cardoso de Carvalho somou 627. Entre os anos de 1965 a 1969 Valban comandou o processo de indenização dos antigos moradores de Poço Branco velho, construiu as primeiras casas e o primeiro cemitério da cidade. Até então Poço Branco ainda respirava ares de povoado de Taipu.

Em 30/11/69, Ivan Cardoso de Carvalho e José Francisco de Souza (ARENA) foram eleitos em chapa única, obtendo 712 votos. Ivan governou Poço Branco de 1970 a 1972 e suas principais obras foram as construções da Maternidade Virgínia de Carvalho e do Matadouro Municipal.

Somente em 15/11/72 houve uma eleição propriamente dita. Naquele ano, José Francisco de Souza (Zé Igapó) e Manoel Targino Sobrinho (Mané Caju), ambos da ARENA, foram candidatos enfrentando João Ferreira da Cruz Filho e Marisa Ayres de Melo (Da. Marisa), ambos do MDB. Joãozinho obteve 914 votos, contra 886 de Zé Igapó, e governou Poço Branco entre os anos de 1973 e 1976. No 1º mandato Joãozinho construiu o largo do comércio, mudou a feira livre para o local atual e construiu uma lavanderia municipal na antiga "Jazida".

Em 15/11/76, José Francisco de Souza e Eráquio Alves de Lima (ambos da ARENA) obtiveram 994 votos e derrotaram Marisa Ayres de Melo e Joel Padre (ambos do MDB) que somaram 876 votos. Zé Igapó ficou no comando da cidade de 1977 a 1982. As obras marcantes do seu governo foram as construções das escolas isoladas de Contador, dos Baixos e de Samambaia. Também fundou a Escola José Francisco Filho e construiu o cemitério de Contador. Mesmo antes de ser prefeito, Zé Igapó fundou o 1º Cartório de Poço Branco e logo depois a sua Comarca.

No dia 15/11/82 foi instituído no Brasil um novo estilo de eleição. Francisco Ferreira Dantas (Chico Neto), José de Arimatéia da Cunha (Zé Carneiro) e Eráquio Alves de Lima formaram a frente PDS para concorrer contra João Ferreira da Cruz Filho e Vicente Ferreira da Cruz, da frente PMDB. Cada um tinha um vice e da soma dos votos de cada frente sairia o novo prefeito da cidade. A frente PMDB-I, formada por Joãozinho e Déco, foi a mais votada com 1.728 votos e governou a cidade de 1983 a 1988. Zé Carneiro, da frente PDS-I, obteve 1.204 votos.

O segundo mandato de Joãozinho foi um período muito difícil para a cidade porque a região do mato grande era sacudida por tremores de terra. Poço Branco entrou em estado de emergência e de calamidade pública por três vezes. As obras mais importantes deste período foram a construção da Praça do Coração de Jesus e das escolas municipais Aluízio Alves e Raimundo Rosa.

Em 15/11/88, José Sebastião Sobrinho (Déco) e João Teixeira do Nascimento (João Cândido), ambos do PMDB, obtiveram 2.314 votos e venceram a José de Arimatéia da Cunha (Zé Carneiro) e João Luis da Silva, ambos do PDS, que conseguiram 2.265 votos. Déco comandou Poço Branco entre os anos de 1989 e 1992. As suas maiores realizações foram as construções da Praça e de um Engenho de Rapadura, ambos em Contador.

No dia 15/11/92, após uma ferrenha correção eleitoral, José de Arimatéia da Cunha e José Mauricio de Menezes Filho (coligação PFL) obtiveram 1.962 votos contra 1.458 votos de João Ferreira da Cruz Filho e Newman de Lima (coligação PMDB). Em sua 3ª tentativa, Zé Carneiro comandou Poço Branco entre os anos de 1993 e 1996. A principal obra de Zé Carneiro foi a construção do prédio da Câmara de Vereadores, a instituição da coleta de lixo e do carnaval de rua de Poço Branco.

Em 01/10/96, Maria das Dores Souza de Menezes e Marta da Silva (PSB) somaram 1.524 votos que não foram suficientes para derrotar Francisco Fernandes do Nascimento (PL) e Roberto Lucas de Araújo, que conseguiram 2.320 votos. Na 3ª colocação ficou o peemedebista Fernando Luis Ferreira da Silva (Fernando da Emater) com 1.137 votos. Na 4ª colocação o ex-prefeito José Sebastião Sobrinho (Déco), do PMN, alcançou 862 votos. Fernando Cândido foi o prefeito de Poço Branco entre os anos de 1997 e 2000 e deixou como sua marca principal a construção dos ginásios poliesportivos de Poço Branco, Contador e Samambaia. Também calçou as avenidas Manoel Rodrigues e Poço Branco (parcialmente), além de mais duas ruas.

Em 2000 surgiu o pleito com voto eletrônico e apuração finalizada no mesmo dia da eleição. Foi em 03/10/2000 que João Maria de Góis (PPB) e Roberto Lucas de Araújo receberam 3.560 votos contra 2.880 votos de Francisco Fernandes do Nascimento (PFL) e Geralda Miranda. Já Maria das Dores Souza de Menezes (PSDB) e Maria das Dores de Miranda somaram 500 votos. João Maria de Góis foi prefeito da cidade por pouco mais de 3 anos, quando foi cassado e teve seus direitos políticos suspensos. Para completar aquele mandato o seu vice, Roberto Lucas, foi conduzido ao cargo até concluí-lo em 2004. João Maria não deixou uma obra marcante em sua administração, mas ficou conhecido na cidade como "o prefeito da saúde".

Em 03/10/2004, Roberto Lucas de Araújo (PPS) e Francisco Fernandes do Nascimento foram eleitos com 3.772 votos contra 2.765 votos de Waldemar Horácio de Góis Neto (PTB) e Marcos Aurélio. O ex-vereador Luis Félix da Silva (PFL) obteve 343 votos e o petista Luis Miguel da Silva, 160. Roberto permaneceu no cargo apenas parte do 1º ano do mandato (2005), quando foi afastado por cerca de 8 meses.

A vereadora Nilse Cavalcante da Silva ocupou o cargo neste período, mas Roberto foi reconduzido ao mesmo em 2006. Roberto conseguiu, com raras exceções, pagar aos funcionários da prefeitura em dia, reformou seis escolas do município e a Praça Coração de Jesus.

Em 05/10/2008, José Maurício de Menezes Filho (PMN) e Nilse Cavalcante da Silva foram eleitos obtendo 4.020 votos contra 3.974 votos de Waldemar Horácio de Góis Neto (DEM) e Vera Lúcia Freire. Maurício assumiu em 1º de janeiro de 2009.

EMANCIPAÇÃO DE POÇO BRANCO

O município de Poço Branco foi criado no dia 26 de julho de 1963, pela Lei nº. 2.899, desmembrando-se do município de Taipu e se tornando uma cidade do RN. O ato foi assinado pelo então governador em exercício do RN, Roberto Pereira Varela (ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ceará Mirim). Para concluir este processo, o poçobranquense Cícero Freitas foi indicado como o primeiro prefeito da cidade. Até o governo de Aluízio Alves (1961-1966) já havia se tentado desmembrar Poço Branco de Taipu por algumas vezes, mas todas sem sucesso. A origem de seu nome está datada por volta de 1890, quando os primeiros moradores do povoado deram este nome ao lugar devido aos poços de água cristalina que existiam à margem do rio Ceará Mirim.

A história da cidade começa, de fato, com a construção da Barragem Engenheiro José Batista do Rego Pereira, iniciada em julho de 1959 e inaugurada em Dezembro de 1969. Durante esses dez anos foi concluído o processo de indenização das famílias que moravam no curso do rio Ceará Mirim e passaram a habitar a nova cidade. A obra foi executada pela construtora Nóbrega & Machado que também planejou a cidade, suas ruas e avenidas. Por muitos anos, Poço Branco foi, junto com Brasília/DF, uma das poucas cidades planejadas do país. A sua população foi formada basicamente pela miscigenação entre os antigos moradores de Poço Branco Velho e os funcionários da construtora da barragem, já que muitos deles constituíram família em solo poçobranquense.

O processo de emancipação de Poço Branco teve início no final dos anos 50, tendo à frente os senhores José Francisco de Souza (Zé Igapó) e Ivan Cardoso de Carvalho. Outros nomes como Cícero de Freitas, Manoel Targino, Eráquio Alves, Raimundo Rodrigues, Antonio Pereira, Raimundo Nonato, João Teixeira, Sebastião Rodrigues, dentre alguns outros, encabeçaram o movimento que separou Poço Branco de Taipu. Como em todo movimento separatista, este também teve alguma oposição. A população de Taipu não chegou a se insuflar contra a separação, mas os políticos taipuenses eram contrários.

Não há documentos oficiais que comprovem, de fato, quais foram os verdadeiros fundadores de Poço Branco, enquanto povoado. O que há são apenas suposições. O livro do ilustre poçobranquense Raimundo Rodrigues da Silva (Raimundo Caxiado) é uma das poucas “fontes vivas” da história da cidade, embora a publicação mencione, com maior ênfase, o período pós-povoado. Antes de 1900, existia um pequeno aglomerado de casas, pouco urbano, às margens de um pequeno rio. “Era uma casa aqui, outra acolá e muitos serrotes de pedra e mata”, conta o morador José Cícero de Oliveira (Ciço de Filó).

Aos poucos, o pequeno povoado foi ganhando novos moradores devido, principalmente, às grandes secas por que passava o sertão potiguar. Para Poço Branco Velho vieram e passaram alguns viajantes, famílias nômades (ciganos) e boiadeiros em busca de um bom lugar pra se estabelecer. Nesse período, o povoado ainda não tinha um nome de consenso, mas acabou sendo chamado inicialmente de Jacaré. No inverno, as cheias do rio criavam belas fontes cristalinas d’água: as cachoeiras e os poços. Talvez tenha vindo daí a origem mais aceita do nome que deu origem ao atual município.

O tempo passou e, entre secas e invernos, a pequena população de Poço Branco Velho levava uma vida simples – regada ao trabalho nos roçados e pouca vida social. Aos poucos, o lugar foi recebendo novos moradores e sua população foi crescendo. No início do século passado os hábitos do povo se limitavam a trabalhar, freqüentar uma feira livre (de Taipu ou Baixa Verde), rezar novenas e, para quem possuía condições financeiras, fazer uma romaria ao Pe. Cícero – no Juazeiro do Norte/CE.

Somente por volta de 1940 a vida do povoado começou a sofrer transformações importantes. Os primeiros funcionários do extinto DNOS/DNOCS começaram a colher amostras e medições topográficas para iniciar a construção de uma barragem, cuja função maior seria a de represar as grandes cheias de inverno que alagavam e prejudicavam o cultivo de cana-de-açúcar no Vale do Ceará Mirim. Naquele período, os usineiros do vale tinham muitos prejuízos com o alagamento de suas áreas produtoras. Este foi, talvez, o mais importante motivo que fez o Governo Federal liberar, inicialmente, “60 mil contos de réis” para iniciar a construção da então barragem de Taipu – segundo relatos do funcionário aposentado do DNOS/DNOCS, o saudoso José de Freitas Sobrinho.

Uma construção dessas necessitava de uma construtora de grande porte, mas as leis da época não permitiam consórcios de empresas – como atualmente é comum. Então, o Banco do Brasil financiou o dobro do necessário para que a construtora Nóbrega & Machado iniciasse a construção. José de Freitas, que depois se tornou funcionário do DNOCS, sempre lembrava que a construtora só trouxe uma caçamba velha e dois tratores para começar a construção. Foi preciso, então, utilizar tropas de jumentos para transportar o barro, areia e pedras para as fundações da obra. “Quem tinha um burrinho podia arrendá-lo à firma e teria uma fonte de renda”, comenta Zé Cacheado (outro morador fiel à história do município).

Com o início das obras da barragem, ainda na condição de distrito de Taipu, Poço Branco não recebia a devida assistência e atenção da Prefeitura de Taipu e, como já se tornara um povoado em desenvolvimento, alguns poucos moradores começaram a acreditar na possibilidade de sua emancipação. Mas foi com a chegada dos operários da construção da barragem que o centro financeiro da região se deslocou da sede (Taipu) para Poço Branco Velho. Vários comerciantes e prestadores de serviços fixaram moradia no povoado e o crescimento da economia local despertou as pretensões políticas de pessoas influentes do lugar.

Os dados mais recentes do IBGE, até 2010, mostravam Poço Branco com uma população de 13.947 habitantes. Os homens somam 7.051 e as mulheres representam 6.896 habitantes. No município, pouco mais de 53% continuam morando na sede. O município sobrevive, principalmente, das receitas que recebe dos governos federal e estadual. A principal delas, o FPM (Fundo de Participação do Município), sofreu, nos últimos anos, sucessivas quedas, mas ainda corresponde a maior parte de tudo que o município arrecada anualmente. Outros repasses (como Royalties, IPI e ICMS, IRPF, IPVA) e os impostos e taxas de natureza municipal formam a malha financeira do município.

Com a estabilidade econômica vivida no Brasil, Poço Branco teve um considerado crescimento em seu Produto Interno Bruto (PIB) e seu comércio foi o principal beneficiado. A cidade conta com supermercados, mercadinhos, pequenas lojas, restaurantes, lanchonetes, mas ainda não possui uma estrutura de hospedagem para atender uma futura necessidade turística. A pecuária, a pesca, a agricultura, os empregos públicos e a prestação de serviços são as outras fontes de sobrevivência de sua população que, como a maioria dos municípios brasileiros, depende muito das ações de sua Prefeitura. Poço Branco também acabou criando uma mão-de-obra especializada na construção civil, com a formação de reconhecidos profissionais nesta área. O município praticamente não possui produção industrial e/ou intelectual provenientes da sua população ou de seus recursos naturais.

A EMANCIPAÇÃO DE POÇO BRANCO - PARTE 2

HISTÓRIA DA CIDADE

BREVE HISTÓRICO

O município de Poço Branco foi criado no dia 26 de julho de 1963, pela Lei nº. 2.899, desmembrando-se do município de Taipu e se tornando uma cidade do RN. O ato foi assinado pelo então governador em exercício do RN, Roberto Pereira Varela (ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ceará Mirim). Para concluir este processo, o poçobranquense Cícero Freitas foi indicado como o primeiro prefeito da cidade. Até o governo de Aluízio Alves (1961-1966) já havia se tentado desmembrar Poço Branco de Taipu por algumas vezes, mas todas sem sucesso. A origem de seu nome está datada por volta de 1890, quando os primeiros moradores do povoado deram este nome ao lugar devido aos poços de água cristalina que existiam à margem do rio Ceará Mirim.

A história da cidade começa, de fato, com a construção da Barragem Engenheiro José Batista do Rego Pereira, iniciada em julho de 1959 e inaugurada em Dezembro de 1969. Durante esses dez anos foi concluído o processo de indenização das famílias que moravam no curso do rio Ceará Mirim e passaram a habitar a nova cidade. A obra foi executada pela construtora Nóbrega & Machado que também planejou a cidade, suas ruas e avenidas. Por muitos anos, Poço Branco foi, junto com Brasília/DF, uma das poucas cidades planejadas do país. A sua população foi formada basicamente pela miscigenação entre os antigos moradores de Poço Branco Velho e os funcionários da construtora da barragem, já que muitos deles constituíram família em solo poçobranquense.

O processo de emancipação de Poço Branco teve início no final dos anos 50, tendo à frente os senhores José Francisco de Souza (Zé Igapó) e Ivan Cardoso de Carvalho. Outros nomes como Cícero de Freitas, Manoel Targino, Eráquio Alves, Raimundo Rodrigues, Antonio Pereira, Raimundo Nonato, João Teixeira, Sebastião Rodrigues, dentre alguns outros, encabeçaram o movimento que separou Poço Branco de Taipu. Como em todo movimento separatista, este também teve alguma oposição. A população de Taipu não chegou a se insuflar contra a separação, mas os políticos taipuenses eram contrários.

Não há documentos oficiais que comprovem, de fato, quais foram os verdadeiros fundadores de Poço Branco, enquanto povoado. O que há são apenas suposições. O livro do ilustre poçobranquense Raimundo Rodrigues da Silva (Raimundo Caxiado) é uma das poucas “fontes vivas” da história da cidade, embora a publicação mencione, com maior ênfase, o período pós-povoado. Antes de 1900, existia um pequeno aglomerado de casas, pouco urbano, às margens de um pequeno rio. “Era uma casa aqui, outra acolá e muitos serrotes de pedra e mata”, conta o morador José Cícero de Oliveira (Ciço de Filó).

Aos poucos, o pequeno povoado foi ganhando novos moradores devido, principalmente, às grandes secas por que passava o sertão potiguar. Para Poço Branco Velho vieram e passaram alguns viajantes, famílias nômades (ciganos) e boiadeiros em busca de um bom lugar pra se estabelecer. Nesse período, o povoado ainda não tinha um nome de consenso, mas acabou sendo chamado inicialmente de Jacaré. No inverno, as cheias do rio criavam belas fontes cristalinas d’água: as cachoeiras e os poços. Talvez tenha vindo daí a origem mais aceita do nome que deu origem ao atual município.

BREVE CRONOLOGIA

O tempo passou e, entre secas e invernos, a pequena população de Poço Branco Velho levava uma vida simples – regada ao trabalho nos roçados e pouca vida social. Aos poucos, o lugar foi recebendo novos moradores e sua população foi crescendo. No início do século passado os hábitos do povo se limitavam a trabalhar, freqüentar uma feira livre (de Taipu ou Baixa Verde), rezar novenas e, para quem possuía condições financeiras, fazer uma romaria ao Pe. Cícero – no Juazeiro do Norte/CE.

Somente por volta de 1940 a vida do povoado começou a sofrer transformações importantes. Os primeiros funcionários do extinto DNOS/DNOCS começaram a colher amostras e medições topográficas para iniciar a construção de uma barragem, cuja função maior seria a de represar as grandes cheias de inverno que alagavam e prejudicavam o cultivo de cana-de-açúcar no Vale do Ceará Mirim. Naquele período, os usineiros do vale tinham muitos prejuízos com o alagamento de suas áreas produtoras. Este foi, talvez, o mais importante motivo que fez o Governo Federal liberar, inicialmente, “60 mil contos de réis” para iniciar a construção da então barragem de Taipu – segundo relatos do funcionário aposentado do DNOS/DNOCS, o saudoso José de Freitas Sobrinho.

Uma construção dessas necessitava de uma construtora de grande porte, mas as leis da época não permitiam consórcios de empresas – como atualmente é comum. Então, o Banco do Brasil financiou o dobro do necessário para que a construtora Nóbrega & Machado iniciasse a construção. José de Freitas, que depois se tornou funcionário do DNOCS, sempre lembrava que a construtora só trouxe uma caçamba velha e dois tratores para começar a construção. Foi preciso, então, utilizar tropas de jumentos para transportar o barro, areia e pedras para as fundações da obra. “Quem tinha um burrinho podia arrendá-lo à firma e teria uma fonte de renda”, comenta Zé Cacheado (outro morador fiel à história do município).

Com o início das obras da barragem, ainda na condição de distrito de Taipu, Poço Branco não recebia a devida assistência e atenção da Prefeitura de Taipu e, como já se tornara um povoado em desenvolvimento, alguns poucos moradores começaram a acreditar na possibilidade de sua emancipação. Mas foi com a chegada dos operários da construção da barragem que o centro financeiro da região se deslocou da sede (Taipu) para Poço Branco Velho. Vários comerciantes e prestadores de serviços fixaram moradia no povoado e o crescimento da economia local despertou as pretensões políticas de pessoas influentes do lugar.

DADOS POPULACIONAIS E ECONÔMICOS

Os dados mais recentes do IBGE, até 2010, mostravam Poço Branco com uma população de 13.947 habitantes. Os homens somam 7.051 e as mulheres representam 6.896 habitantes. No município, pouco mais de 53% continuam morando na sede. O município sobrevive, principalmente, das receitas que recebe dos governos federal e estadual. A principal delas, o FPM (Fundo de Participação do Município), sofreu, nos últimos anos, sucessivas quedas, mas ainda corresponde a maior parte de tudo que o município arrecada anualmente. Outros repasses (como Royalties, IPI e ICMS, IRPF, IPVA) e os impostos e taxas de natureza municipal formam a malha financeira do município.

Com a estabilidade econômica vivida no Brasil, Poço Branco teve um considerado crescimento em seu Produto Interno Bruto (PIB) e seu comércio foi o principal beneficiado. A cidade conta com supermercados, mercadinhos, pequenas lojas, restaurantes, lanchonetes, mas ainda não possui uma estrutura de hospedagem para atender uma futura necessidade turística. A pecuária, a pesca, a agricultura, os empregos públicos e a prestação de serviços são as outras fontes de sobrevivência de sua população que, como a maioria dos municípios brasileiros, depende muito das ações de sua Prefeitura. Poço Branco também acabou criando uma mão-de-obra especializada na construção civil, com a formação de reconhecidos profissionais nesta área. O município praticamente não possui produção industrial e/ou intelectual provenientes da sua população ou de seus recursos naturais.

ENTREVISTA PARA A REVISTA RN ECONOMICO

Na data de 12 de julho de 1980, a revista RN Econômico, realiza uma entrevista com o prefeito da época, José Francisco de Souza (Zé Igapó), destacando sua gestão municipal. Na referida revista, vê-se algumas fotos de obras construídas pelos esforços do então prefeito. Caso queiram, o blog “Crônicas taipuenses” destaca uma escrita merecedora de leitura.

As fotos correspondem à escola Estadual Estudante José Francisco Filho, Escola Municipal Maria de Lourdes Costa (Contador), ruas de Poço Branco em 1980, Telern e foto do próprio prefeito.

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Zé Igapó na Cadeira de Prefeito

Vamos relembrar quem já Administrou ,e deu a sua contribuição na estrutura , crescimento e desenvolvimento local, até o atual.

Ordem crescente:

CICERO DE FREITAS - Prefeito Interino Março a Dezembro de 1964

WALBAN BEZERRA DE FARIAS _ 1965 _ 1968

IVAN CARDOSO DE CARVALHO _ 1969 _ 1972

JOÃO FERREIRA DA CRUZ FILHO

DOS MANDATOS :

1973 - 1976 ,

e 1983 _ 1988.

JOSÉ FRANCISCO DE SOUZA (Zé Igapó)

1977 _ 1982

JOSÉ SEBASTIÃO SOBRINHO ( Deco)

1989 _ 1992

JOSÉ DE ARIMATÉIA DA CUNHA (Zé Carneiro).

1993 _ 1996

FRANCISCO F. DO NASCIMENTO ( Fernando Candidato);

1997 _ 2000

JOÃO MARIA DE GÓIS

2001 _ 2003

ROBERTO LUCAS DE ARAÚJO

Abril a Dezembro/2004.

e 2005 _ 2008.

NILSE CAVALCANTI

8 meses ( 2005 a 2006 ).

JOSÉ MAURÍCIO DE MENEZES FILHO

2009 _ 2012 e

2013 _ 2016.

WALDEMAR HORÁCIO DE GÓIS

2017_2020

Edi Carlos Oliveira (Edinho)

2021_2024

Prefeito atual.